quarta-feira, 24 de outubro de 2012

OVNI

É uma coluna do site Rd1 audiência que a partir de hoje fará parte da nossa programação e para hoje  temos uma explicação de Salve Jorge:

“Salve Jorge” tem um difícil dragão para matar nos próximos meses

JORGE VEM LÁ DA CAPADÓCIA…
Dizem que a primeira impressão é a que fica. Tentei nadar contra a corrente dos ditos populares, e me apegar a uma segunda impressão. Mas eis que a segunda impressão só reforçou a primeira, e então não tenho mais como fugir. “Salve Jorge”, o recente lançamento em termos de telenovelas da faixa horária das 21h na Rede Globo, acabou trazendo consigo um forte embate entre críticas e constatações a respeito da trama escrita pela autora Glória Perez.
É tudo muito recente! O final arrebatador da antecessora “Avenida Brasil” é recente, ainda muito fresco em nossas memórias sentimentais de telespectador. As histórias que dão base à “Salve Jorge” também mal começaram. Mas, venhamos e convenhamos, há algo de errado naquilo ali.
Os primeiros capítulos, ao meu ver, foram mais entediantes do que empolgantes. Houve um acerto quanto às ideias, mas um erro quanto à execução. A novela agrada em alguns aspectos, mas dá agonia de se ver na maior parte do tempo. Talvez tudo isso venha a ser fruto das comparações que, em partida, acho até desleais, mas inevitáveis em termos de cronologia dos acontecimentos.
Enquanto em “Avenida Brasil” não tínhamos coragem de piscar os olhos, com medo de perder um gesto, um lance que alteraria todo o encaminhar da trama; durante “Salve Jorge” confesso que lutei para conseguir ficar com os olhos abertos. Estávamos acostumados com um ritmo frenético de fatos, e fomos convidados a nos refestelar diante de uma novela mais contempladora sobre o cotidiano, às vezes nem um pingo interessante, de seus personagens.
Glória Perez sabe flertar, de forma engajada, com mazelas da realidade como ninguém. Mas é preciso que não caia nesse aspecto de merchandising social que é super válido, mas que não deve ocupar todos os espaços. É preciso criar válvulas de escape funcionais. O público brasileiro enxerga as próprias novelas como um passatempo, uma válvula de escape de seus dias corridos, estressantes e complicados nos empregos, em suas casas.
Precisamos nos desapegar da falecida “Avenida Brasil” (que Deus a guarde num bom lugar nos arquivos da Globo) e sermos mais pacientes com “Salve Jorge”. Ainda é cedo para atestar o sucesso ou o fracasso da novela. Ainda há esperanças para que o elenco imprima mais carisma e humanidade em seus personagens nas cenas. Ainda há tempo da autora mudar os rumos da trama, dar mais vida, mais ânimo, mais ritmo, já que o público foi mal (ou seria bem?) acostumado por João Emanuel Carneiro e seus ganchos maravilhosos de finas de capítulos que mais pareciam finais da própria novela, de tão intensos e reveladores.
Sentiremos saudades do lixão e do bairro do Divino? Sim! Mas precisamos dar um voto de confiança para o Complexo do Alemão e a Turquia de Glória Perez. Não será tarefa das mais fáceis, mas acredito que a autora tem créditos para darmos um voto de confiança, mesmo que com um pé atrás.
Estamos parecendo uma criança que adorava um brinquedo que, por algum motivo, sumiu, fazendo com que os pais saíssem correndo atrás de outro brinquedo que, pode até ser legal, mas nunca vai nos divertir da mesma maneira que aquele tão querido brinquedo inicial que se foi.
Sacaneia Jorge!
Beto Carreiro, é você?
Um casal que tem uma música do Roberto Carlos chamada “Esse cara sou eu” como tema já começou o namoro da forma errada.
Novas danças étnicas para os atores darem aulas (leia-se “pagar mico”) em matérias doprograma Vídeo Show, ao lado de Bruno de Luca e populares nas ruas.
Esse grande Globo Repórter sobre a história, as tradições, o modo de vida e as novas gírias que a galera vai falar (de forma errada, porém divertida) em relação a Turquia.
Uma TROPA DE ELITE pra dar um gás no núcleo do Exército que tá nível “Cadinho” de tão interessante na novela. só que NÃO!
Solineuzalização de Dira Paes está puxadíssima! Como empregada doméstica em novela, só digo uma coisa: EU QUERO VER TU FAXINAR MUITA CASA PRA EU TE AMAR MAIS QUE A ZEZÉ!
Claudia Raia, eu te amo! Mas você vai ter que abandonar mais mulheres na Turquia do que a Carminha abandonou crianças no lixão.

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