“Avenida Brasil”: Uma ficção que mexeu com nossa realidade
VAI DEIXAR SAUDADES!
É só isso! Não tem mais jeito! Acabou! Boa sorte! Não tenho o que dizer! São só palavras! E o que eu sinto, não mudará! Precisei recorrer à música de Vanessa da Mata pra tentar acalentar meu coração enquanto escrevo esse texto.
Tudo na vida tem seu fim. A própria vida chega ao seu fim, mais cedo ou mais tarde. Natural que a vida de personagens de uma novela também se encerre. Mas, melhor do que viver uma eternidade de forma medíocre, é viver por um curto espaço de tempo de forma gloriosa. E disso (quase) todos os atores, diretores, produtores, colaboradores e o autor de Avenida Brasildevem se orgulhar. Eles viveram durante 179 capítulos por e para uma obra de ficção que flertou de forma primorosa com a realidade. Uma obra-prima de ficção que pautou nossas vidas em casa, no trabalho, nas ruas, nas rodas de conversa, nas conversas nas redes sociais, em cada canto e recanto deste país.
Não sou, e estou longe de ser um entendedor, um especialista, um estudioso em telenovelas. Considero-me um apreciador, um telespectador, um crítico/adorador ambivalente daquilo que vejo na televisão. Um dos mais de 190 milhões de brasileiros que, culturalmente, tem em si um pouco de médico, de louco, de técnico de futebol e analista da programação da TV como bem decreta a sabedoria popular. E, nos meus vinte e poucos anos, certamente nunca tenha visto o que vi de uma novela que teve a incrível capacidade de, tal qual o canto de uma sereia, me seduzir e fazer mergulhar de cabeça em um universo fantasioso e fabuloso, para além do cotidiano. Uma fuga louca e lúdica para uma “avenida” surreal, na qual passava alguns minutos junto com outros milhões de telespectadores.
Avenida Brasil chegou ao seu fim! Não vou ocupar este texto em julgar esse ou aquele capítulo. Falando em linhas gerais, a novela teve erros e acertos, tropeços e triunfos como havia de se esperar. Nada no mundo é perfeito. Mas, se existe o quase perfeito, podemos enquadrar essa novela em tal categoria.
A novela que parou, literalmente, o país, encerrou sua presença diária na televisão; mas deu início em uma nova forma de se pensar, fazer e ver uma telenovela. Todos os capítulos deAvenida Brasil, juntos, escreveram um novo capítulo na própria história da teledramaturgia brasileira. É impossível se pensar em produzir um folhetim daqui por diante, principalmente na faixa das 21 horas, sem ter Avenida Brasil como um parâmetro, um norteador.
Avenida Brasil pode ser entendida como uma estrada, recém-construída, por onde todas as próximas “tramas novelísticas” terão que cruzar. E, enquanto transitarem por essa nova estrada, se depararão com um novo público, com um novo olhar, um novo referencial de comparações. Costumo brincar que a história das vilãs de novela se divide em a.C e d.C(antes e depois de Carminha).
João Emanuel Carneiro escreveu sobre vingança e perdão, o lixo e o luxo, o abandono e o amor, o humanamente possível e o psicologicamente viável. O autor escreveu sobre histórias de vida de personagens que ganharam vida nas mãos, nas faces, nas falas, nas peles, na entrega de corpo e alma de um elenco que, em suma, fez um excelente trabalho; por vezes individualmente e, em outras, de forma coletiva, em núcleos coesos, repletos de afinidade dentro dos cenários e diante das câmeras.
Houve espaço nessa “avenida” para quem iniciou a novela com pouco destaque na trama, mas tinha muito talento para mostrar. Juliano Cazarré (Adauto), Cacau Protásio (Zezé) e Claudia Missura (Janaína) estão aí provando que, quando se quer, e se tem preparo para tal, um grão de areia se torna uma montanha na qual, do alto dela, todos podem enxergar o seu esforço e o seu brilho.
Houve honras e glórias para quem não precisava provar mais nada para ninguém, como José de Abreu, Murilo Benício, Vera Holtz, Eliane Giardini, Marcos Caruso, Débora Falabella, entre outros.
Houve a redenção de Marcello Novaes. O ator, que sempre foi taxado por uma parcela do público e dos críticos de TV como o “gostosão de meia-idade e mediano talento”, mostrou que tem cacife para atuar de forma talentosa e atrativa na pele de Max, personagem que poderia ficar às sombras de Carminha, mas que conseguiu ocupar bem seu espaço na trama, e atrair para si os holofotes também.
Houve a consagração de Adriana Esteves como uma atriz que, visceralmente, fez uma das interpretações mais humanizadas que já pude ver. Ela fez da Carminha roteirizada por João Emanuel Carneiro a sua Carminha. Adriana Esteves não interpretou, mas sim viveu Carminha como uma vilã odiada, amada, julgada, idolatrada, ardilosa, arrependida, arrebatadora, traumatizada, traumatizante, ambígua, hilária, irritante, inescrupulosa e irretocável em quase tudo o que fez em cena para o público.
Haverá, de agora em diante, um duro golpe nas próximas tramas. Diria eu uma difícil missão: superar Avenida Brasil. Haverá um novo fenômeno popular como esse em nossas telas daqui por diante? Aguardaremos cenas dos próximos capítulos das próximas novelas. Salve João Emanuel Carneiro! Sorte para o Jorge de Gloria Perez! FOM FOM para Aguinaldo Silva!
Salve Jorge, mas não Supere João Emanuel Carneiro!
(A matéria foi retirada do site RD1 audiência)







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